4.10.14

Ai Jesus Cristo, anda cá abaixo ver o Crato!

Eu já tenho falado dessa corporação poderosa que é a dos professores e de como uma mínima mudança levanta logo o pó do comodisto e da adoração pelo establishment.

Mas desta vez a coisa é mesmo muito má. E o senhor ministro Crato tem que se demitir imediatamente. Porque perdeu toda a credibilidade e, mais importantemente, toda a seriedade que a que o seu posto o obriga.

Uma coisa é implementar provas de aferição de conhecimento (ainda que num formato muito dúbio) ou haver pequenos atrasos no preenchimento de posições residuais, outra coisa é deixar os miúdos sem aulas ou virar do avesso as vidas de milhares de pessoas que, por acaso, leccionam e vir pedir desculpa por isso.

O que se tem passado tem sido das piores novelas de que me lembro e, se é bem verdade que todos os anos há alguns episódios estranhos, este ano a coisa bateu no fundo. E que há que perceber porquê. Que não me parece que fosse só porque alguém num gabinete esconso numa cave sem janelas não sabe fazer contas...

Eu até nem preconizo a caça à cabeça de um ministro assim que ocorrem erros - porque um ministro é a cabeça de uma grande engrenagem e que há perceber bem onde ficou o grãozinho que lixa tudo - mas quando a coisa assume proporções devastadoras e o ministro vem pedir desculpas ao Parlamento e 'tá-se bem - sem levar em conta aqueles que, afinal, ficam sem trabalho ou as criancinhas que ficam sem o professor que acabaram de conhecer - é empalá-lo às portas da cidade... Ou, vá, levá-lo a tribunal já!

O povo diz, e com muita razão, que as desculpas não se pedem, evitam-se.

16.8.14

Take Another Plane. Ou TAP.

Oiço a piadola de TAP querer dizer take another plane já há bastante tempo. E, diga-se, com os infortúnios que a assolaram recentemente, se calhar nem era má ideia. Mas será assim tão mau?

Há uma tendência fatalista em Portugal de dizer mal de tudo o que é nosso. Já o sabemos. E ainda bem, senão não haveria fado nem as velhinhas a queixarem-se por tudo e por nada. 
Mas, meus caros, atrasos há-os em qualquer sítio do mundo. Posso dar-vos exemplos pessoais da Air France, do ICE na Alemanha, dos autocarros no Japão. O importante é ter estratégias para lidar com situações dessas. 

Há também a natural insatisfação de quem fica pendurado num aeroporto. É normal. Porque um avião não tem a frequência de um autocarro. Ou de um comboio. Por isso é também importante ter estratégias para lidar com as pessoas que ficam penduradas nos aeroportos.

E quanto a isto, parece-me que a TAP tem vindo a desenvolver esforços para minimizar os atrasos. E apresenta números que apontam nesse sentido. Se bem que a minha impressão meramente empírica é que ainda acontecem muitos atrasos... Mas também vos digo que a EasyJet já me largou em Gatwick às 4 da manhã e não às nove da noite.
E também é verdade que a TAP, assim que se apercebeu do impacto da falta de vaiões tratou de avisar toda a gente o quanto antes. E isso não pode ser negado.

Mas estas coisas mancham a reputação de uma empresa. Que, a meus olhos, tinha vindo a melhorar em termos de serviço e em termos das ofertas que faz. E a verdade é que tem vindo a aumentar a ocupação dos seus aviões e os destinos que oferece.

Quem não parece perceber bem o impacto do diz-que-disse é o senhor presidente da empresa. Que fica triste por as pessoas não se lembrarem das coisas boas em momentos em que caem pedaços de aviões e se cancelam viagens, como li numa sua entrevista.
Pois, meu caro Fernando Pinto, como se diz em inglês no news is good news e como se diz tragicamente em português, as más notícias correm depressa. É só o que lhe tenho a dizer.

Por fim, e depois de ter lido umas coisas interessantes a respeito da estratégia adoptada pela TAP, tenho a dizer que acho muito bem que se queiram expandir e disputar mercados. E certos nichos.
Voar para a Ásia é dinheiro certo nos dias que correm, mas não me surpreende nada a estratégia passar, para já, pelo reforço da presença na América Latina (mais ninguém voa para Porto Alegre ou Belém, por exemplo, e poucas empresas voam para Fortaleza ou Brasília) ou pela continuação do trabalho em África (ninguém voa tanto para Luanda ou para Cabo Verde e ninguém voa para Maputo).

E está bem claro que foi aprendida uma lição importante. Tanto que a expansão da rede continuará, mas haverá um avião de reserva no hangar para o verão que vem. É que esta brincadeira custou milhões à TAP. Entre a reputação, os alugueres de outros aviões e tudo mais.

24.7.14

Sagrados sábados

Esta coisa da senhora procuradora que professa o adventismo do sétimo dia e que não pode trabalhar aos sábados faz-me muita confusão.

É bem verdade que as pessoas devem ter toda a liberdade religiosa do mundo – que isto não é o Sudão – mas discordo completamente da decisão do Constitucional. Parece-me que assim há uma total subversão do que devia acontecer. Assim, o culto religioso – que é uma opção pessoal – sobrepõe-se às obrigações de um funcionário enquanto tal. Faz-me muita confusão.

Quando os senhores juízes dizem “O Estado não assegura a liberdade de religião se, apesar de reconhecer aos cidadãos o direito de terem uma religião, os puser em condições que os impeçam de a praticar” parecem-me exagerar nos direitos que alguém tem só porque professa uma religião. Se alguém não quer trabalhar aos sábados – seja porque razão for – então que opte por um emprego que não os faça trabalhar aos sábados.

Agora era giro todos os católicos apostólicos romanos negarem-se a trabalhar aos domingos, os muçulamos a não trabalharem no ramadão. Então e os ateus e agnósticos?!

Eu quando assinei o meu contrato sabia que podia ter que vir trabalhar à noite. Embora adore dormir e não funcione bem à noite.

22.7.14

A problemática da Palestina

Comecei este post umas três vezes e continuo sem saber bem o que escrever.

Se é bem verdade que Israel não tem nada que ocupar a terra alheia, construir barreiras ou limitar os direitos alheios, também é verdade que o Hamas não se deve abrigar em casas de civis nem brincar aos mísseis.

Esta gente tem é que ser trancada numa sala e só de lá saír quando houver uma solução para aquele problema.

Eu ofereço a minha sala.

A afirmação do indivíduo

Tenho notado que o meu Facebook aparece pejado de referências à necessidade de sermos nós mesmos. Ou com notinhas próprias de adolescentes com acne dizendo que são como são e quem não gosta não gosta.

E isto faz-me muita espécie.

Obviamente que cada um é livre de publicar o que quiser e se eu não quiser ver, tenho bom remédio. Mas as publicações deste tipo deixam-me a pensar. E deixam-me, vá, incomodado.

Cada um é como cada qual, como diz a minha mãe. E é bem verdade. Mas essa máxima de prezar o indivíduo acima de tudo é assim tão válida? Há então problema em andar nú no trabalho porque estão mais de 30C e eu gosto de andar nú? Posso pregar um estalo numa criança mal comportada porque o paizinho não lhe ensina o que são maneiras? Posso cuspir na cara de uma pessoa só porque é idiota?

A resposta é: não.

Se é bem verdade que cada um é como cada qual, também é verdade que vivemos todos juntos. Que não precisamos de esfregar quem somos na cara de ninguém. Há que sermos o que somos, sem dúvida, mas sem nos julgarmos mais que o próximo.

Porque viver em sociedade e ser-se respeitado enquanto membro do grupo passa por isso. E não quer dizer que sejamos só mais um. Igual aos outros.

E se também é verdade que quem não gosta não gosta, então, meus amigos, tenham os tomates de confrontar quem não gosta e assim escusam de lavar a roupa suja em público. Resulta que é uma maravilha e não funciona só como expiação de uma personalidade a precisar de afirmação.

(Não sou dono da verdade. Mas incomoda-me este individualismo idiota em troca de nada.)

25.6.14

Cenas dos próximos capítulos ou a pequena implosão do PS por conta de Seguro

Há certas coisas que eu não percebo. E não me refiro ao penteado do Cristiano. Refiro-me, isso sim, à birra de Seguro.
Só numa terra de velhos do Restelo é que se pode pensar que uma vez eleito, o lugar que se ocupa é indisputável. Se há descontentamento e alguém decide disputá-lo há é que ir à luta. Mas antes das coisas chegarem a esse ponto, aliás, tem que se fazer um bom e sustentado trabalho para que não haja cobiça ao seu lugar. É unir e trabalhar em prol de todos. É perceber o que se passa e resolver as situações. E não dizer que uma vitoriazinha nas Europeias é uma vitória do caraças.
O que está a acontecer no PS é, neste momento, vergonhoso. E as facções que se organizam são muito perigosas.
Eu até concordo que a megalomania de Sócrates não fez bem a ninguém, mas deitar isso cá para fora em jeito de ataque a alguém que quer o melhor para o partido não é bonito. E, pior, é mau. Muito mau para o partido.
O líder de um partido tem que ter ideias concretas, propostas, trabalho feito e carisma. Nem sempre é fácil reunir isto tudo numa pessoa, mas também não é qualquer um que deve ser líder de um partido. Acho muito bem que Costa tivesse disputado a liderança de uma pessoa apagada e que reage mais para dentro do seu partido do que para um governo que come o seu próprio país.
É triste que tenhamos que viver um verão inteiro na incerteza do futuro, quando, na verdade, já se devia estar a trabalhar para o futuro de forma coesa, fundamentada e sem ressabiamento.
Basicamente, há uma disputa com que se tem de lidar. Protelar a sua resolução é mau para todos.
Por isso, temos novela para continuar...

2.6.14

Há coisas que não me saem da cabeça

1. É triste que os senhores europeus tivessem que levar um murro no focinho para perceberem o quão desfasados da realidade estão. É mesmo muito mau quando os decisores políticos não sentem o que o comum dos mortais sente e quer. E depois dá no que dá;

2. Lamento que o senhor Seguro não seja tão eloquente, contudente e sábio em relação à situação do país e no confronto com o senhor Passos Coelho quanto tem sido internamente com o senhor Costa. É pena, porque assim teríamos uma oposição muito mais concertada, certeira e - verdadeiramente - vitoriosa.
Eu vou querer ver no que isto dá. Não será um processo fácil mas duas coisas resultarão: a abertura do partido às bases e o reforço da coesão socialista, seja quem for que passe pelo crivo;

3. Segundo li no outro dia,  há uns 900 milhões a mais no orçamento de Estado. Que podiam ser usados para ultrapassar o chumbo do tribunal constitucional. Mas desde ontem que o malévolo Passos Coelho está em consultas para ver como é que nos vai metralhar ainda mais. Assim naquela da tortura.
É estranho que nem sequer pense que ter não sei quantos orçamentos consecutivos chumbados não é um problema e nem sequer vá pensar noutras opções senão no aumento de impostos, com o qual já ameaçou.
Ele que me desculpe - que não gosto de ofender ninguém - mas o que é demais também cansa.