10.10.16

Táxi

Esta história dos taxistas deixa-me enjoado, para não dizer enojado.
É verdade que nem todos os taxistas são maus, ladrões, mânfios, fumadores e salazaristas. Mas também é verdade que se fazem representar por um tipo – recuso-me a apelidá-lo de algo melhor – que fica no limiar do apelo à violência. Tem sido muito triste ver o discurso que faz a apologia do monopólio, da resistência à mudança e do insulto.

É verdade que o mercado do táxi é dos mais regulados no país. Um taxista precisa de licença – cujo número é limitado pelas câmaras – de horas de formação, de seguros. Concordo que alguma coisa deva ser feita para aliviar o fardo de quem também precisa de ganhar o seu honestamente, mas o discurso precisa de ser justo e cuidado, sob pena de alienar quem se serve do serviço.
No meio disto tudo é lamentável que não tenha havido um discurso que mostrasse vontade de aprender, vontade de concertar exigências. No fundo, um discurso que fosse centrado no cliente em vez de ser centrado no umbigo de alguns.
E explico porquê: quando há monopólios, há interesses. E neste caso há-os e muitos. Por exemplo, as poucas licenças que existem podem ser vendidas por milhares e milhares de euros – isto está documentado – quando uma licença nova em Lisboa nem quinhentos euros custa. E agora os taxistas não me venham cá com as cenas dos seguros, porque os outros operadores também os terão que pagar (podem não ser exactamente os mesmos, mas então exijam ao governo que o sejam ao invés de desancarem à porrada a quem conduz um uber – aconteceu hoje mesmo na manisfestação). E também é verdade que as horas de formação exijidas a uns não sejam as mesmas que os outros. Mas, claramente, há quem precise mais que outros. Note-se bem nas queixas.
Se a coisa for centrada na qualidade de serviço, os clientes não faltarão. É nisso que as novas operadores muito apostam.
E não tenham ideias peregrinas de ter uma bandeirada mínima de seis euros em determinados momentos do ano. Até porque já têm tarifas nocturnas, taxa para bagagem ou para chamada

E duas notas curiosas:
- Os taxistas ficaram ofendidos por terem sido insultados à beira do aeroporto e a polícia não ter intervindo. Preciso de recordar que um certo secretário de estado e sua família têm andado escoltados tais os níveis de insultos e ameaças?
- O epicentro da manisfestção é o aeroporto. Um dos pontos negros do serviço de táxi. Que eu bem me lembro da celeuma que um certo placard com os preços médios levantou na altura. E ainda me espanta que seja necessária polícia para organizar os táxis naquela praça, porque claramente é preciso alguma autoridade externa.


Acho óptimo que o governo – este ou outro qualquer – tenha tomado acção e legislado esta situação. É preciso resolvê-la e é preciso aplacar os monopólios e a violência que por aí anda.

26.6.16

Considerations on Brexit

So much has been written and shared about Brexit that I was starting to feel left behind. So I decided to write some thoughts down.

1. I was surprised at the result. Honestly, I did not think Out with win. The matter of fact is, though, it won, but very much marginally. And I find it astonishing the consistent results in Scotland and Northern Ireland as much as the consistent results in poorer areas of England that voted against the hand that feeds them.

2. This looks like a novel. Cameron wanting to secure his party back in the day, decided to initiate this referendum conundrum and he lost control over it. I remember him being against UK remaining in the EU until his friends from the City advising him otherwise. Foreseeing the capitals fleeing and with them the jobs and investments.  
Now, it seems, he has come to the end of the line.
Unfortunately, he has started a time of political uncertainty. Not only in the UK, as the world that we live in now implies much deeper consequences.

3. Xenophobia is on the rise. Which is something I don't like to dramatize - as sometimes it seems that everything is some sort of discrimination - but it is happening, because ignorants feel validated and empowered by the vote of the majority. It was thrown out from the mouth of Nigel Farage who has been caught in a blunt lie, when he could not ensure that the money going to the EU per day will go to NHS. I do ask him: where the hell is it going then?
Anyway, there have been reports of a rise on xenophobic comments both online and on the streets against people that come to the UK to work and therefore contribute to the greater good. Through taxes, you know. People that often pick up jobs that otherwise would go undone. Or start investments. From Europe or beyond.

4. The results already saw the pound crashing and the announcements of jobs being moved out of London. HSBC, Goldman Sachs amongst others have made such accouncements.
It is true that having a special relationship with the EU can secure jobs and capital in the city, but the big companies are ready to move to Paris, Frankfurt or Amsterdam because they do understand the effects of the Brexit and do understand the benefit of being in a fully integrated single market such as the EU.

5. I was surprised at the immediate German response to the result: a meeting of the founding states of the EEC. Something that does not exist and which core we have moved on - which is also the cause of the situation we are in now, I'd say.
I find preposterous that Europe is not learning from this. Instead of having a broad conversation with everyone - which is to happen anyway - a chit-chat of a VIP club that does not exist took place. 

6. I am still surprised at this second referendum initiative. Not for the initiative itself - as it is always good to see citizens engaged - but because we cannot just have referenda all the time when we do not agree with the results of the previous voting. Imagine if that applied to general elections as well. What can be done, in my humble opinion, is to start an initiative for a new referendum once conditions have changed. Nicola Sturgeon already hinted at this, concerning the independence of Scotland - given the consistency of results.

Eventually, I am not sure if the relationship of the United Kingdom with the European Union will change that much, to be honest - as they had guaranteed many exceptions as is. There will be changes for foreigners living there, for sure, and more so for Europeans wanting to move to the UK. But vice-versa as well, lest we forget the pensioners in Spain, Portugal or Cyprus. 
Economically, financially and in terms of people movement, the UK will be like Norway or Switzerland: being part of the European Economic Area - so, no tariffs, no borders. And no say in the decisions the EU make.

We also need to consider something else, despite the big question mark now on the political future of the UK: will Brexit really happen? The results of referenda in the UK are not binding. And the tendency in the Houses of Parliament is very much pro-Europe. 

And will the UK fall apart? That is a very good question, given the sensitiveness of the different nations within it. I would say Scotland might try something and might get it, but Northern Ireland would have a harder time, given its history and its divisions. Which can surface again, if things become really nasty.
Anyway, if Scotland goes for independence and asks to join the EU, Spain will likely vetoe it. As they do not want to give any false hopes to the Basque Country or, most importantly, to Catalunya.

I also wonder, if Brexit does move on, how will the government of the UK address the concerns of the poorer areas of its territory? I mean, with the devaluation of the currency and the exit of some big companies (possibly leading to more unemployment and, for sure, a lower tax collection), where will the money come from to be given to those areas needing help from the government? And how will it cope with the rise of prices that will necessarily happen?

Lastly, what I would like to see from the other side of the fence - the EU - would be a concerted reaction to this, towards an improvement of its bureaucracy, of its crushing of the smaller and poorer countries, of its distance from its citizens. We cannot go on living like this Brexit vote did not just happen. It's not a "you love me as I am or you leave me". It's not a German club. It's not a financial club.
If we do not change the EU for better, more radicalization will spring up. Look at Le Pen, Wilders. Or Hungary or the last presidential elections in Austria.

One thing I know for sure: I should be in  London now and not two weeks ago. Shopping would be much cheaper.

3.9.15

Dos refugiados

Vi aquela fotografia de Aylan, a criança que deu à costa europeia já morta. Como tenho visto imagens de gente, igual a mim, mas com caras desesperadas. Tenho lido histórias de gente que foge da guerra, da fome, da perseguição. Gente que traz a avó de cadeira de rodas do Afeganistão e até a carrega ao colo quando é preciso.
E não posso ficar indiferente. E não fico.

Aquela gente é parte deste mundo e merece as mesmas oportunidades que eu. Seja na terra onde nasceram ou seja aqui ou ali. A mim pouco me interessa. Mas interessa-me a forma como têm sido, em geral, tratados.

Começa logo pelo termo “migrantes”. Mas quem é que decidiu aplicá-lo a uma realidade destas? Não é um migrante alguém que decide partir em busca de uma vida melhor e ponto final? Mas não é um refugiado aquele que é forçado a saír do lugar a que sente até pertencer? Essa é a diferença e é nesta última categoria que esta gente se enquadra ou, quando muito, grande parte desta gente se enquadra, disso não tenho dúvidas.

O que vejo acontecer no acolhimento a esta gente é também uma grande confusão. O tratamento a que são submetidos pelo governo fascista húngaro em Budapeste é vergonhoso. A marcação com números nas mãos feita pelas autoridades checas é uma negra lembrança de outros tempos na Europa que têm que ser evitados nem que seja pelo que simbolizam. A vergonha que é Calais com a demissão das responsabilidades francesas é um atentado à dignidade dos seres humanos sobretudo na terra da Revolução.

A União Europeia sempre me pareceu ser fraca na política externa. Não que para isso precise de intervir feita um Golias como os Estados Unidos, mas em termos de ser clara nos seus propósitos, de concretizar o melhor para o mundo e – não sejamos ingénuos – para si, a coisa nunca correu por aí além (tirando um ou outro exemplo, talvez no Médio Oriente). E a forma como está a a lidar com este afluxo de gente a chegar às suas costas tem sido absolutamente atroz. A Espanha e a Itália têm alertado para isto há anos. E nada. A Grécia urra agora. A verdade é que nada acontece enquanto os burocratas trocam ideias e decidem que uns vão para aqui e outros para ali.

E depois precisamos não esquecer que países como a Macedónia ou a Sérvia não pertecem à União Europeia e que por isso as regras são um nadinha diferentes.

Posto isto há questões que se levantam. Há desde logo os senhores da extrema-direita com as suas manias de que os refugiados vêm para aqui tomar conta disto e tapar as gajas todas. Não é verdade. Mas a verdade é que, quer queiramos quer não, temos que viver com a realidade de que esta gente existe e que tem uma opinião e uma opinião sobretudo populista. E por isso, perigosa.
Depois temos os medrosos que acham que temos que obrigar esta gente que aqui chega a viver como nós. E eu relembro-os que não, não temos. A cultura europeia baseia-se na democracia sobretudo laica, na diversidade. Outros governos não são assim. Não são necessariamente as culturas. Nem se cortam mãos em todos os países muçulmanos, por exemplo. Mas também é preciso não esquecer que ainda há gente na Europa que se mostra contra a entrada da Turquia na União por ser maioritariamente muçulmana. Como se a União – ou a Europa! – fosse um clube cristão. Giro e um todo-nada irónico, não é?

Eu sou da opinião que haja alguma adaptação. E é inevitável que haja. Não na primeira geração que chegue. Talvez não na segunda. Mas depois. Quando as crianças estiverem na escola, mais integradas. Quando as pessoas trabalharem junto dos outros. Quando todos aprendermos juntos uns dos outros. E virmos que temos todos a ganhar, na verdade. É-me indiferente se uma mulher anda tapada – desde que possa escolher fazê-lo – mas não me é indiferente ver gente ser perseguida, maltratada, morta só porque quer viver com dignidade.
Mais: quererá esta gente de facto ficar connosco para sempre? Não quererão regressar aos seus assim que sentirem estar em paz até para poderem ajudar na resconstrução do que é seu?

E também gosto daquele argumento maravilhoso: a eles dão-lhes tudo e a mim não me dão nada. E eu digo: olha, só por dizeres uma coisa dessas, já nem mereces! Mas reconsidero, porque o assunto é sério e afinal digo que estas pessoas passam por uma experiência inenarrável para chegarem até um porto seguro. E o mínimo que podemos fazer é dar-lhes algum conforto. Que talvez nunca venham a considerar a sua casa.

E custa-me ver que a situação de fundo continua esquecida: o que causa o desespero desta gente toda. A miséria de tanto sítio em África. As atrocidades cometidas na Eritreia. A desintegração da Líbia. A falta de entendimento do Ocidente de que nem todo o mundo está preparado para a democracia ao seu estilo que resulta num ISIS na Síria e no Iraque. Nos problemas ainda extremistas do Afeganistão.
 
Por fim, também temos que ser pragmáticos e assegurar que, ao mesmo tempo que damos apoio a todos os que necessitam, asseguramos que não somos trespassados por degenerados vindos dos confins da Síria, de Kandahar ou, não nos iludamos, da Arábia Saudita. Porque a ameaça é real.

8.7.15

A Grécia

Eu deixei de ver novelas há algum tempo. Mas de há algum tempo para cá, e embora muita gente me fale do Mar Salgado, eu prefiro uma novela onde, me parece, só há maus: a Grécia.
Todos os dias há uma coisa nova. É agora que se casam. Agora já não é. É agora que andam à estalada. Agora já não é. É agora que se encontram à meia-noite. Agora já não é.

Mas querem saber: cansei. Já não dá. 

Eu já havia dito que a vitória do Syriza não seria sinónimo de nada em particular. Que teríamos de ver. Mas era sinónimo indisfarçável do descontentamento quanto ao rumo economicista e tecnocrata da União Europeia. A vitória do "oxi" no referendo veio reforçar isto. Mas, como costumo dizer, temos sempre que lidar com a realidade que temos e não com aquela que queríamos ter. 

Mas a verdade é que um país não pode continuar a viver feito um doidivanas às custas de não se sabe quem. Não é justo, nem com base no princípio da solidariedade da Europa. Esta só funciona quando todos funcionamos bem.

Inicialmente, até conseguia perceber o Syriza. Não porque era simplesmente contra-corrente, mas porque entendia - e ainda entendo - que é preciso mais tempo do que aquilo que é exigido para pôr a economia a funcionar. É preciso um desafogo maior para que a economia se mexa e o povão não seja tão lixado como é costume. O que é tão indiferente aos tecnocratas doutos em Excel no FMI e no raio que os parta.

Mas nos últimos tempos tenho mudado - e muito! -  de opinião. Muito embora o Tsipras tenha dado um golpe de mestre despachando o Varoufakis - eliminando assim um grande obstáculo a qualquer negociação com os fofinhos do outro lado da barricada - fez um referendo, quando a mim, um nada extemporâneo - mas ainda assim uma consulta popular - e tem protelado, protelado, protelado. Usado de propaganda. E pouco mais.

E no meio disto, ainda vem o FMI dizer que a dívida grega, tal como já está, não é gerível.

O discurso de um senhor de quem nunca havia ouvido falar - e peço desculpa se ele é uma celebridade no meio - ilustra bem onde é que estamos. Mas também ilustra bem onde é que devíamos ter estado sempre: num fórum político, de debate de ideias e de expressos mandatos pelo povo. 

E retenham a palavra "povo". Não é o grego. É o europeu. Que me parece estar a ser esquecido no meio desta guerra fraticida - não se esqueçam da alusão que a rainha de Inglaterra fez há poucos dias à origem da nossa União.



I got angry this morning at Mr Tsipras, because we need to see concrete proposals coming from him. We can only avoid a #Grexit if he takes his responsibility. Watch my speech again here
Posted by Guy Verhofstadt on Wednesday, 8 July 2015

Não creio - e não quero crer - que a Grécia saia do Euro. Pelos custos que isso teria para a Europa e por um certo telefonema que o Obama fez à Merkel. E espero que a instituição aprenda com isto. Nem que seja para nos unirmos mais e melhor. 

A União Europeia é um óptimo projecto, mas talvez precise de ser revisto. Para ver para onde pode evoluir, como pode evoluir. O que dele queremos.

E não se esqueçam do referendo no Reino Unido.

26.6.15

Pobre gato!

Já com as touradas é o mesmo. Dizem que é "tradição". Como se esse termo justificasse tudo. Como se os tempos não mudassem e as vontades não andassem para a frente. Se assim não fosse, ó gentes de Vila Flôr e, já agora, Barrancos, ainda havia cristãos mortos no Coliseu de Roma para gáudio dos romanos, senhoras de espartilho e saias compridas a passear-se no Chiado, espectáculos no ocidente com exóticas mulheres de África.

Não se justifica e espero que  vão todos presos.

20.5.15

Perdão!?

Então o país está de pantanas. O país tem os cofres cheios mas afinal não tem e é preciso troikar mais o pessoal. O país continua na senda da austeridade. E o governo dá um perdão fiscal de oitenta e cinco milhões ao Novo Banco?!

Isto pode ser legal, sim. Mas é imoral. Porque para se alimentar um sistema que se alambuza à pala dos outros, tira-se aos velhos, aos doentes, à classe média. E isso é, repito, imoral. 

Claro que este governo se escuda na legalidade da decisão - ainda que reconhecidamente extemporânea e nobremente preocupada com o futuro - mas pouco lhe importa que, dada a conjuntura que tanto apregoa, se dê dinheiro a bancos e o povão ande de mão estendida.

Quem começa a precisar de perdão são os senhores. E não é fiscal. Já é divino.

30.3.15

Eles são mais é bolos

É que só pode. Que a notícia de hoje gira à volta do Fisco a penhorar bolos a um restaurante. Quatro deles.

Não sei se foram ducheses, pirâmides ou pastéis de nata, mas foram quatro. Cada um a 30 cêntimos - o que deve ser o preço de custo, que eu não encontro bolos a esse preço!

Isto até dá para rir, sim.

É verdade que houve alterações na lei e que o Fisco tem conhecimento dos produtos em movimento. Mas fará sentido penhorar quatro míseros bolos?! Se ainda penhorassem todos os bolos... Agora cá quatro!

Não há dúvidas que se uma dívida existe, tem que ser paga. Porque eu não quero andar a pagar os impostos dos outros. Mas também é verdade que as autoridades têm que se dar ao respeito, evitar serem also de chacota pelo povão. Mas assim não vão lá.

Eu, se um dia não tiver consciência que tenho que cumprir com as minhas obrigações de cidadão, vou fazer um choradinho aos senhores do Fisco para não me penhorarem o Cerelac, a pasta de dentes e o creme para a cara.

4.3.15

A dívida

A questão não é sobre o dinheiro que o senhor deve à Segurança Social. A questão que maça as pessoas é que o senhor deva dinheiro ao Estado. Aquele mesmo Estado que persegue pessoas por tuta e meia e penhora tudo e mais alguma coisa.

É triste ver o que se está a passar: tão nobre figura de Estado a não admitir um erro, a dizer que não tinha consciência de uma obrigação legal, a não pagar exactamente o que deve, a ser defendido pelo que não é defensável, a disparar sobre quem já jaz no chão.

É também triste ver o silêncio a que o magistrado máximo do nosso país se acomete. Como se nada se passasse e fosse perfeitamente razoável a tal nobre figura do nosso Estado não cumprir as obrigações que todos os outros sabem que têm que cumprir ou são forçosamente obrigados a fazê-lo.

Eu recomendo Noostan.

E no meio disto tudo também gostaria de perceber como é que a Segurança Social se esqueceu de avisar o nosso suburbano favorito de que tinha que cumprir uma obrigação para com o Estado.
Se por um lado eu quero acreditar que não houve favoritismo, por outro lado também quero acreditar que que somos todos iguais e tratados como tal.

Para isto eu recomendo olanzapina ou quetiapina.

1.2.15

A tragédia grega

Há uma semana só se ouvia falar de como a Europa ia mudar, de como a Grécia - berço da democracia - ia dar uma lição à Europa. E o mundo ia ser feito de arco íris e borboletas.

Já há uma semana pensava que essa era uma assunção demasiado optimista e hoje parece que já se concorda que o Syriza vai ter que mudar um pouco a conversa. Mas a questão será saber se será só o partido grego a mudar... Quer-me cá parecer que serão precisos compromissos.

Acho muito interessante que o novo primeiro-ministro grego se recuse a falar com a troika. E exija que isto seja tratado ao nível da União Europeia. 
Acho que esta mudança de paradigma é necessária. Afinal a Grécia pode precisar de ajuda, mas também não se pode deixar esmagar por esses radicais da troika.
Estabelecer um diáologo verdadeiramente político ao nível das instituições que nos mantêm juntos é o caminho a percorrer e devia ser essa sempre a forma de comunicarmos, em vez de se despachar um grupo de tecnocratas para Atenas. Ou qualquer outra capital necessitada.

É bem verdade que a Grécia precisa de reformar muita coisa - qual o país que não precisa de se ir aperfeiçoando!? - mas é justo que se lhe exija um ritmo que a impede de crescer? Que fere os seus cidadãos? Acho que não. Acho sinceramente que se devia pensar a longo prazo e pensar-se em reformas exequíveis, para serem feitas mas que também permitam o crescimento da economia para que o país possa andar para a frente. E pagar o que deve sem roubar ninguém.
Mas, não, os tais radicais querem tudo já e agora. Como se os mercados não ficassem igualmente apaziguados se houvesse um plano estruturado e objectivo de longo prazo.

De resto, é preciso não esquecer como o Syriza chegou ao poder. Chegou lá pelo voto do povo descontente com o rumo do país. 
Não vale a pena escrutinar o passado constantemente. O presente é o que é e os gregos fizeram ecoar o seu descontentamento elegendo um partido chamado de radical mas que, no fundo, promete respostas aos anseios do povão. E parece que os partidos tradicionais não conseguem entender isto. 

E assim desaparecem.

Mas uma coisa é um Syriza ganhar na Grécia e haver pequenas ondas de choque na Europa. Outra coisa é o Podemos ganhar - ou crescer muito - na Espanha. Aí as reacções serão muito diferentes e as ondas serão um verdadeiro tsunami.

Lamento que a política que se siga seja, ela sim, radical ao ponto de esquecer quem está na mó de baixo. Até darem o grito do Ipiranga e mandarem o establishment dar uma volta.

A Grécia já nos ensinou qualquer coisa. Mas a política é, geralmente, reactiva. E reage ao embate maior, somente. Por isso vamos ter que esperar para ver. Mas não me parece que as coisas fiquem exactamente como estão.

(Uma última nota para referir a tontice das declarações do nosso primeiro-ministro suburbano no que toca ao "partido vencedor das eleições gregas". Pode ter uma agenda diferente e pouco realista, mas não deixou de ser legitimada pelo povo de um país soberano e democrático!)

18.1.15

Posso?

Será que posso dizer que me parece que o Papa está errado? Ou estou a ofender alguém?

Dizer a alguém que não se concorda com a sua opinião, não é ofender ninguém. Pelo menos, não devia ser...

Eu até compreendo as palavras do senhor tendo em conta a diplomacia que têm que compreender, mas não posso concordar com o facto de que, primeiro, fazer desenhos do profeta seja ofender a religião de alguém e, segundo, que tenho que me acobardar num estado de direito. 

Se queremos viver todos em harmonia, temos que viver com as opiniões alheias, com os actos alheios, com os pensamentos alheios. E não pura e simplesmente usar a violência para deles discordar.

Parece-me ser tão simples quanto isto.

Agora, se é um exercício fácil? Claremente parece-me que não.

(Uma última nota para dizer que espero que o exemplo que deu sobre o que faria a alguém se falasse mal de sua mãe, seja uma mera metáfora. Senão lá se vai o evangelho do amor por água abaixo.)

8.1.15

Charlie

O que aconteceu é estúpido.
É tão básico como isso.
Claro que há certas noções básicas que não cabem na cabeça de algumas pessoas. Não é a primeira vez e nem será a última. Tanto mais que Charlie já havia sido alvo de ataques. Mas querer silenciar uma forma de estar de todo um quadrante do mundo pela força do terror não é a forma certa. E o que aconteceu só vai exarcebar alguns sentimentos menos bons. O que eu digo a estes degenerados* é simples: se não gostam de estar aqui, que se mudem para as montanhas do Afeganistão e vivam nas cavernas. Isolados e sem oportunidade de se sentirem ofendidos.
O que me parece por demais aborrecido.
Dado que a Europa se tem vindo a extremar mais e mais – com ataques a mesquitas em Stockholm ou manifestações contra a ismalização da Europa na Alemanha – o que aqui aconteceu só vai contribuir para as teorias loucas da extrema-direita. Porque há loucos em todo o lado. E eu ainda vou querer ver no que é que isso vai dar. Porque se é verdade que os políticos do costume se apressam a vir dissipar medos e a esclarecer as coisas, também terão que aplacar os extremistas dentro da Europa na hora das eleições.
O que os degenerados que mataram o agente Ahmed – que lhes terá perguntado se o iam mesmo matar – também provocaram foi uma onda de solidariedade que é raramente vista. Houve gente nas ruas em Paris e noutras cidades. E a força das massas é difícil de ser parada, sobretudo quando se vive em democracia.
Daqui a uma ano lembrar-nos-emos desta desgraça e lembraremos os heróis da liberdade de expressão que morreram nas mãos de uns tontos. E Charlie continuará a satirizar o que bem lhe aprouver. E com a força de um mártir.

* Quero deixar aqui bem claro que os degenerados são os tontos que pegam em armas em nome do profeta (ou por outra qualquer razão, diga-se) e não todas as boas pessoas que professam a mesma religião)

22.11.14

E por falar em filmes, a Justiça Portuguesa Produções apresenta "Sócrates"

Antes demais, Sócrates foi detido. Não foi preso.
Neste momento continua a ser ouvido e há buscas a decorrerem para se recolher informação.

A mim não me choca a sua detenção, mas choca-me a surpresa e o alarido que há em volta da sua detenção. Como se um ex-primeiro ministro não pudesse ser alvo de suspeitas. 

Eu não acredito muito em teorias de conspiração e jamais quero acreditar que o timing desta detenção pudesse ter sido manipulado por motivos políticos. Mas a verdade é que deter Sócrates neste momento - com um congresso do PS à porta e a sua consequente reafirmação - vai ser um problema. Até porque Sócrates nunca foi encarado como um monstro dentro do partido.

Também se diz que agora as atenções se desviam de outros casos: BES, subvenções e mais uma catrefada deles que nem me lembro.
Ora, se é bem verdade que Sócrates será objecto de extensas reportagens e longuíssimos debates na comunicação social, também é verdade que a justiça não se permitirá distracções e continuará a investigar o que tem que ser investigado.
Eu pelo menos assim o espero.

Por últimos duas coisas:
Se os políticos dos partidos moderados são todos os mesmos, então não votem neles. Em vez de se queixarem, escolham outros. 
Menos o Marinho Pinto, por favor, que esse já provou não ser de confiança;
Isto não se trata de uma limpeza ao sistema. Longe disso! É uma investigação sobre um ilustre político e uns quantos à sua volta. Que eu só acredito que haja uma limpeza ao sistema quando lá vir mais uns quantos... 
Nem que os persigam de submarino.

Este filme vai continuar e dar que falar. 

E se houver provas sólidas e irrefutáveis, pois que se o prenda!

Interstellar

Um belíssimo filme.

Em tudo: na história, na ficção, na verosimilhança, no realismo, nos planos, nos efeitos, nas imagens, nas palavras, na representação.

Se não o viram, vejam-no. 

É tão bom, tão bom, que estou capaz de o ir ver outra vez ao cinema.

Eu dou-te a subvenção!

Eu acredito na dignidade e na responsabilidade da posição de deputado à Assembleia da República. É também por isso que defendo uma relação muito mais directa entre o eleito e os eleitores, coisa que o sistema que usamos não facilita. Por isso também não me espanta que os deputados tenham certos direitos que o comum dos trabalhadores não tem.

Mas a Isabel quer agora recorrer ao Tribunal Constitucional de forma a que este aprecie a inconstitucionalidade da continuidade da supressão das subvenções vitalícias dos senhores deputados. E quer-me parecer que ela se está a esquecer de uma coisa que devia ser muito importante na política: a moral.

Se ela até pode ter razão, tendo em conta uma lógica meramente legal, não a tem a nível moral. Nem ninguém que defenda que se prolonguem cortes ao comum dos trabalhadores - ou dos que já o foram - e se volte atrás nos cortes de quem mais tem. Não é bonito, não é justo, não é aquilo que a política deve ser.

Aliás, até me faz muita espécie como é que os deputados têm o poder de decidir as suas próprias regalias. Imagine-se se todos o pudessemos fazer onde trabalhamos! Era giro.

Achei interessante que alguém - aparentemente nas cúpulas - ganhasse juízo e não avançasse com esta proposta. Porque seria muito desprestigiante para uma classe política que já muito pouco prestígio tem junto dos demais. E se os dois maiores partidos do sistema podem falar e concordar nisto, bem que o podem fazer em relação a outras coisas igualmente relevantes para o país.
E eu deixo já uma dica: estratégia.

Como quem não quer a coisa.

16.11.14

Maldita caridadezinha

Parece que para o ano Portugal estará melhor. E se formos muito bem comportadinhos e o mundo for um sítio lindo, até nos baixam os impostos e estaremos ricos de um ano para o outro. É o que está orçamentado.

Curiosamente, 2015 é ano de eleições.

A tristeza de quem manda e vai mandando neste país é pensar que o salário mínimo é digno e chega. E que podemos ir às urgências pagar vinte euros.

Ah, mas esperem lá: o governo aumentou o número de pessoas isentas de pagamento de taxas.
Mas eu pergunto: o raciocínio não deveria ser ao contrário? Não deveria o objectivo ser ter mais gente a pagar (presumindo que o acesso universal a algo tão básico como a Saúde deva ser pago)?

Acho esta subversão de valores lamentável. E não é por uma questão filosófica ou meramente ideológica. É por uma questão basilar da política: servir os cidadãos.


15.11.14

Ainda dos doutores portugueses aos olhos da Angela

Se há demasiados licenciados em Portugal, eu não sei. Mas ficou tudo em polvorosa com algumas palavras ditas pela manda-chuva alemã - até porque a comunicação social cá do burgo escolheu bem o que partilhar.
Mas a verdade, é que a senhora até pode ter razão no que toca à falta de gente qualificada tecnicamente sem necessariamente com um diploma de uma universidade.
O que me parece ser mais relevante seria o people preocupar-se com a qualidade do ensino técnico - que não é só para quem não é bom o suficiente para a universidade - do ensino universitário - vejo coisas muito tristes - a facilidade de acesso a ambos os ensinos dependendo da vontade do estudante - hoje em dia fortemenre condicionado - a preocupação que a populaça ainda tem com títulos - get over it - a relação das escolas técninas, politécnicos e universidades com o mundo real e empresarial - muito diminuta nos dias que correm - e a percepção de que um canudo traz mais realização e mais dinheiro - o futuro provará que isso não é bem assim.
O que as palavras da dita manda-chuva deviam ter despertado deveria ter sido a consciência colectiva em torno da educação no seu todo. E nomeadamente a consciência dos governantes e dos possíveis governantes para uma estratégia integrada e de longo prazo para a Educação. Que claramente não existe.

28.10.14

Às vezes penso se sou eu...

Há coisas que me fazem muita confusão. E uma delas é a forma como alguns decisores políticos pensam em abstracto e completamente afastados da realidade do povão. E nem me refiro ao tratamento ligeiro que é dado a assuntos como o abono de família, o salário mínimo ou as pensões mais baixas. Dizem quinhentos euros como quem diz quinhentos mil milhões de euros.

Refiro-me, isso sim, a três coisas que têm sido faladas nos últimos tempos:
1. Fiscalidade verde. 
Que me faz rir a bandeiras despregadas. Porque, caros senhores, fiscalidade verde não é somente aumentar o preço dos sacos de plástico, taxando-os. Isso é um lado do problema. 
A verdadeira fiscalidade verde seria aumentar o preço dos sacos, mas melhorar os transportes públicos; aumentar o preço da gasolina para veículos particulares, mas criar vias mais rápidas para quem viaja em grupo. Ou simplificar o sistema de tributação dos painéis solares em condomínios.
São meros exemplos que dou, mas percebe-se o princípio: não é meramente taxar à maluca para arrecadar mais dinheiro, mas ter uma estratégia para mudar de paradigma.
2. IRS. 
Eu gostava, pois que gostava, de viver num país onde soubesse com o que contar, entendesse o que fazer de ano para ano. Mas vivo em Portugal, um país de cabecitas pensadoras (pode dizer-se "cabecitas"?).
Acho absolutamente maravilhoso que a nova bolsa de despesas contemple o astronómico valor de seiscentos euros - por casal! - em despesa. É uma festa. Por mês, gasto eu quase isso em despesas correntes.
Mas o que eu acho gravoso é essas cabecitas pensadoras discorrerem sobre o impacto que o IRS tem nas famílias e as grandes vantagens que podem ter se isto ou se aquilo (quando, em geral, se tratam de décimas pontuais). E eu penso: o people quer é guito ao final do mês. Aquele guito que alimenta a economia corrente, do dia-a-dia.
Estimular esta dependência de momentos no ano em que o people recebe um dinheirinho é ridículo e só estimula a subsídio-dependência do costume.
A meu ver, o IRS devia acertar contas. Pequenas. E somente isso.
3. Polícias a mais. 
E quanto a isto eu só digo: onde é que eles estão. 
Porque, diz-me a experiência, que uma coisa são os números, outra é a realidade. Ou a percepção das pessoas. Que se torna, claro, a realidade.
Podem até haver polícias a mais em Portugal - como diz a OCDE - mas então a sua gestão é muito deficiente. Porque não os vejo na rua, porque não os vejo a multar os prevaricadores, porque não os oiço confortáveis com os seus números nas esquadras.
Às vezes penso se sou eu que sou muito picuínhas e chato e tudo ou se não sou eu...

4.10.14

Ai Jesus Cristo, anda cá abaixo ver o Crato!

Eu já tenho falado dessa corporação poderosa que é a dos professores e de como uma mínima mudança levanta logo o pó do comodisto e da adoração pelo establishment.

Mas desta vez a coisa é mesmo muito má. E o senhor ministro Crato tem que se demitir imediatamente. Porque perdeu toda a credibilidade e, mais importantemente, toda a seriedade que a que o seu posto o obriga.

Uma coisa é implementar provas de aferição de conhecimento (ainda que num formato muito dúbio) ou haver pequenos atrasos no preenchimento de posições residuais, outra coisa é deixar os miúdos sem aulas ou virar do avesso as vidas de milhares de pessoas que, por acaso, leccionam e vir pedir desculpa por isso.

O que se tem passado tem sido das piores novelas de que me lembro e, se é bem verdade que todos os anos há alguns episódios estranhos, este ano a coisa bateu no fundo. E que há que perceber porquê. Que não me parece que fosse só porque alguém num gabinete esconso numa cave sem janelas não sabe fazer contas...

Eu até nem preconizo a caça à cabeça de um ministro assim que ocorrem erros - porque um ministro é a cabeça de uma grande engrenagem e que há perceber bem onde ficou o grãozinho que lixa tudo - mas quando a coisa assume proporções devastadoras e o ministro vem pedir desculpas ao Parlamento e 'tá-se bem - sem levar em conta aqueles que, afinal, ficam sem trabalho ou as criancinhas que ficam sem o professor que acabaram de conhecer - é empalá-lo às portas da cidade... Ou, vá, levá-lo a tribunal já!

O povo diz, e com muita razão, que as desculpas não se pedem, evitam-se.

16.8.14

Take Another Plane. Ou TAP.

Oiço a piadola de TAP querer dizer take another plane já há bastante tempo. E, diga-se, com os infortúnios que a assolaram recentemente, se calhar nem era má ideia. Mas será assim tão mau?

Há uma tendência fatalista em Portugal de dizer mal de tudo o que é nosso. Já o sabemos. E ainda bem, senão não haveria fado nem as velhinhas a queixarem-se por tudo e por nada. 
Mas, meus caros, atrasos há-os em qualquer sítio do mundo. Posso dar-vos exemplos pessoais da Air France, do ICE na Alemanha, dos autocarros no Japão. O importante é ter estratégias para lidar com situações dessas. 

Há também a natural insatisfação de quem fica pendurado num aeroporto. É normal. Porque um avião não tem a frequência de um autocarro. Ou de um comboio. Por isso é também importante ter estratégias para lidar com as pessoas que ficam penduradas nos aeroportos.

E quanto a isto, parece-me que a TAP tem vindo a desenvolver esforços para minimizar os atrasos. E apresenta números que apontam nesse sentido. Se bem que a minha impressão meramente empírica é que ainda acontecem muitos atrasos... Mas também vos digo que a EasyJet já me largou em Gatwick às 4 da manhã e não às nove da noite.
E também é verdade que a TAP, assim que se apercebeu do impacto da falta de vaiões tratou de avisar toda a gente o quanto antes. E isso não pode ser negado.

Mas estas coisas mancham a reputação de uma empresa. Que, a meus olhos, tinha vindo a melhorar em termos de serviço e em termos das ofertas que faz. E a verdade é que tem vindo a aumentar a ocupação dos seus aviões e os destinos que oferece.

Quem não parece perceber bem o impacto do diz-que-disse é o senhor presidente da empresa. Que fica triste por as pessoas não se lembrarem das coisas boas em momentos em que caem pedaços de aviões e se cancelam viagens, como li numa sua entrevista.
Pois, meu caro Fernando Pinto, como se diz em inglês no news is good news e como se diz tragicamente em português, as más notícias correm depressa. É só o que lhe tenho a dizer.

Por fim, e depois de ter lido umas coisas interessantes a respeito da estratégia adoptada pela TAP, tenho a dizer que acho muito bem que se queiram expandir e disputar mercados. E certos nichos.
Voar para a Ásia é dinheiro certo nos dias que correm, mas não me surpreende nada a estratégia passar, para já, pelo reforço da presença na América Latina (mais ninguém voa para Porto Alegre ou Belém, por exemplo, e poucas empresas voam para Fortaleza ou Brasília) ou pela continuação do trabalho em África (ninguém voa tanto para Luanda ou para Cabo Verde e ninguém voa para Maputo).

E está bem claro que foi aprendida uma lição importante. Tanto que a expansão da rede continuará, mas haverá um avião de reserva no hangar para o verão que vem. É que esta brincadeira custou milhões à TAP. Entre a reputação, os alugueres de outros aviões e tudo mais.

24.7.14

Sagrados sábados

Esta coisa da senhora procuradora que professa o adventismo do sétimo dia e que não pode trabalhar aos sábados faz-me muita confusão.

É bem verdade que as pessoas devem ter toda a liberdade religiosa do mundo – que isto não é o Sudão – mas discordo completamente da decisão do Constitucional. Parece-me que assim há uma total subversão do que devia acontecer. Assim, o culto religioso – que é uma opção pessoal – sobrepõe-se às obrigações de um funcionário enquanto tal. Faz-me muita confusão.

Quando os senhores juízes dizem “O Estado não assegura a liberdade de religião se, apesar de reconhecer aos cidadãos o direito de terem uma religião, os puser em condições que os impeçam de a praticar” parecem-me exagerar nos direitos que alguém tem só porque professa uma religião. Se alguém não quer trabalhar aos sábados – seja porque razão for – então que opte por um emprego que não os faça trabalhar aos sábados.

Agora era giro todos os católicos apostólicos romanos negarem-se a trabalhar aos domingos, os muçulamos a não trabalharem no ramadão. Então e os ateus e agnósticos?!

Eu quando assinei o meu contrato sabia que podia ter que vir trabalhar à noite. Embora adore dormir e não funcione bem à noite.